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Hoje eu recebi flores.

O dia amanheceu cinzento e sem graça,
Acho que os pássaros acordaram com preguiça de cantar.

Hoje eu recebi flores.

Rosas vermelhas, grandes e suaves como um veludo
Me lembraram as cortinas de um lindo teatro.

Hoje eu recebi flores.

E se pudéssemos tocar a solidão,
Que textura ela teria? De que cor ela seria?

Hoje eu recebi flores.

Descubro que não consigo resistir ao seu sorriso
Mesmo em dias chuvosos.

Hoje eu recebi flores.

Não deixe a gasolina chegar na reserva para abastecer.
E não passe tão rápido em cima de uma poça
Porque pode espirrar muita água.

Hoje eu recebi flores.

Vi uma comédia romântica na TV a cabo.
Não achei graça nem ao menos suspirei,
Mas me deu vontade de dançar.

Hoje eu recebi flores.

Roupa Nova é uma boa pedida, talvez Michael ou Bublé,
É só escolher bem a trilha.

Hoje eu recebi flores.

Amanhã o sol vai brilhar com mais intensidade,
Eu sei...

Porque hoje, eu recebi flores.


Autora: Ana Paula Teixer
26-11-14

O menino e a descoberta

(Autora: Ana Paula Teixer)

Joãozinho era um menino feliz, inocentemente feliz. Estudava no mesmo colegio desde o maternal, por isso convivia sempre com os mesmos amigos, coleguinhas de classe que cresceram junto com ele, aprenderam junto e descobriram muitas coisas juntos também.
Agora Joãozinho já estava na 4. série, tinha acabado de fazer 10 anos e já começava a se sentir um pequeno homenzinho. Agora ele já sabia das coisas, nem adiantava vir com histórinhas sem sentido para o lado dele não! Tudo tinha que ter um porquê e uma razão, senão não colava.

Mas neste ano em especial, alguma coisa a mais iria mudar na vida de Joãozinho, sem que ele se desse conta. Entrava na escola uma nova colega, a Laura, que era na verdade sua prima e vinha transferida de outra escola para a escola de João. Laura, como normalmente toda menina é, era mais descolada, mais madura e já tinha deixado as bonecas de lado muito antes do João ter deixado seus carrinhos.
João, ficou contente com a mudança, apesar dela ser menina, ele e Laura sempre se deram muito bem e ele confiava muito nela, sentia agora que não estava sozinho, teria uma aliada na sala, caso precisasse.

Algumas coisas na nossa vida passam desapercebidas e não nos causam danos até que as descobrimos ou alguém nos "apresenta" de uma perspectiva diferente.
João vinha de uma família rica, seu avô era um grande empresário que passou o legado para seu pai que só fez aumentar ainda mais o império que possuíam. Por causa disso, mesmo que ele não fosse muito ligado em coisas materiais, era natural que seus pais e tios o cobrissem com os mais caros brinquedos e as últimas novidades das lojas. Quando anunciavam algo novo na TV, ele já tinha bem antes, porque seu pai já tinha trazido de alguma viagem ao exterior.

Sexta-feira era dia de brinquedo na escola e quando tinha novidades, João levava pra brincar com os amigos, afinal, de que adianta ter algo legal senão tiver com quem brincar, não é mesmo?
Daí era aquela festa! Todos corriam para ver o que ele tinha ganhado, todos queriam pegar na mão e brincar um pouco, todos queriam ser amigos de João naquela hora…

Num outro dia, quando tocou o sinal para o recreio, João procurou alguém para lanchar com ele e percebeu que todos já haviam feito seus grupinhos, por um momento ele pensou, porque ninguém o havia chamado? Mas logo deixou esse pensamento de lado, chegou de fininho em uma das rodas, sentou-se ali e como quem não quer nada, conquistou seu espaço.
Não era a primeira vez que esse tipo de coisa acontecia, outras vezes João já havia percebido alguma indiferença por parte de alguns colegas com relação a ele, mas ele acreditava que aquilo deveria ser normal, com todo mundo, afinal, as pessoas não tem que querer estar com ele todos os dias, sabia que num outro dia conseguiria atenção. Por isso ficava doido para chegar a sexta-feira! Não porque era metido e queria se mostrar com seus brinquedos, não! João ficava assim, porque era o dia em que se sentia importante, todos prestavam atenção no que ele falava, sorriam pra ele e todos ficavam felizes… isso deixava João feliz. Na verdade, ver a felicidade dos outros deixava João feliz.

Laura já estava frequentando as aulas a duas semanas e começou logo também a notar o que estava acontecendo naquela sala. Perceber isso a deixou furiosa! Ela não podia admitir que fizessem o primo dela de idiota, afinal, estava claro que aqueles amigos não gostavam dele de verdade, mas só o procuravam por interesse. Então, sempre que tinha oportunidade, Laura alertava o primo.

_ João, os meninos foram jogar bola, você não vai porquê? Ninguém te chamou? Perguntou Laura.
_ Sério? Que legal, vou lá ver se ainda tem lugar no time! Respondia João todo empolgado.
Então Laura logo jogava um balde de água fria: _ Você é bobo, se eles não te chamaram é porque não gostam de você, se eu fosse você não ia lá implorar pra jogar não!
Ouvindo isso, ele pensativo, consentia com a cabeça e dizia: _ Acho que você tem razão, deixa pra lá…

Esses alertas começaram a ficar mais frequentes pois Laura estava mesmo muito empenhada em abrir os olhos de seu primo e cada vez mais ele sentia que aquilo deveria ser mesmo verdade. Pensando bem, como pode ter sido feito de bobo esse tempo todo? Todos só querem seus brinquedos, ninguém quer ser seu amigo. _Ninguém gosta de você de verdade João! Insistia Laura.
O que antes era só um pensamento ruim que ele sozinho conseguia mandar embora, se tornara tristeza, mágoa e por fim raiva.
_Quer saber? Falava Joãozinho para seus colegas… _Ninguém mais vai brincar com minhas coisas, não vou trazer mais nada, se quiserem cada um que peça para o seu pai comprar!
Com isso, a semana de João agora era assim: de segunda a quinta ele ficava sozinho, lanchava sozinho, não brincava com ninguém, porque não chamavam como antes e ele também não arriscava mais uma aproximação. E de sexta-feira, ah… de sexta-feira era pior ainda, porque os colegas se divertiam de qualquer forma, com os brinquedos que cada um trazia ou com o que tivesse na escola mesmo e ele mais uma vez ficava sozinho alimentando ainda mais sua mágoa.

Laura, estava feliz, havia conseguido o que queria. Ninguém mais estava fazendo seu primo de idiota, fingindo ser amigo só quando interessava e Joãozinho não era mais inocente, tinha descoberto a verdade, se sentia muito maduro agora, afinal havia feito algo importante ao desmascarar todo mundo e não permitir que continuassem com aquilo.

João agora deixava de ser inocentemente feliz para ser maduramente amargo e triste.

Fim.


Agora você pode pensar e escolher, qual a moral da história?

1- Melhor sozinho do que com amigos que só te procuram por interesse.

2- Se der ouvido a maldades, logo todos os seus sentidos estarão contaminados até chegar o amargo no seu coração.

3- Escreva a sua!


Um beijo a todos!

P.S. Ah!… Se quiserem saber a minha, eu escolho a número 2, acho que as coisas nunca podem ser levadas ao extremo e ainda acredito nas pessoas e no amor, não quero me deixar ser inflamada por uma "verdade" que só vai me fazer mais mal ainda. Joãozinho era feliz sendo inocente e pensando bem, será mesmo que os amigos não gostavam dele? Tenho vários tipos de amigos e nem todos eu procuro em todos os momentos, alguns procuro quando preciso rir, outros quando preciso de conselhos, outros para me acompanhar ao shopping… e como sou tímida já me afastei e me senti excluída também, fazer o quê? Eu quero é ser feliz!

Paulinha Teixer



Olá pessoal!

Ultimamente ando muito sentimental sabia? Talvez pelo fato de estar passando novamente por mudanças bruscas na minha vida, consequentemente tenho ficado muito sozinha sem o maridão que passa as semanas viajando e só volta pra casa aos finais de semana. Então acabo me agarrando muito a minha filha que é minha companheira linda pra todas as horas.

Hoje dei uma passadinha rápida pelo Facebook e li sobre o nascimento de Eva, a nova filha do Luciano Hulck, o nascimento de um bebê para min é sempre uma notícia mágica e divina e sempre me alegro com bebês chegando, então li um trecho que o Luciano transcreveu no Face o qual ele havia recebido como felicitações de um amigo pelo nascimento da filha. Enfim... já havia lido antes em algum lugar, mas neste exato momento de vida, acho que reflete muito o que ando sentindo...

...antes que minha Mel cresça, que Deus me ajude a "gastar" o máximo de amor que tenho com ela, pois a cada dia parece que ela cresce mais rápido! Queria desacelerar, por favor, me dêem uma fórmula!!! rsrs

Em homenagem a minha razão de viver: Te amo filha!


'Antes que elas cresçam'

Affonso Romano de Sant'Anna

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
 
Os ventos da mudança...
 
... e ele foi se chegando, bem devagarzinho, como uma brisa suave, como quem não quer se fazer perceber. Ao mesmo tempo foi causando sensações, inundando o lugar com seu perfume...
Mas o que sería ele? Quais são suas intenções? Por que será que é tão intrigante?
De repente, tudo se revela! O que era brisa se transforma em vendaval, forte, impetuoso, arrebatador. E já não se sente mais calma com sua chegada, agora as emoções se misturam de uma forma confusa e sedutora.
Mas eu o conheço de outros tempos, já senti isso outras vezes, não sei como não percebi que era você desde o começo.
Você ainda me faz sentir os mesmos calafrios, me faz rir e chorar ao mesmo tempo como na primeira vez em que nos encontramos.
Mas agora eu sei lidar melhor com você, conheço os teus encantos, já não tenho mais medo, pelo contrário, eu o espero ansiosamente sempre!
Você se tornou para mim algo bom. O sintoma que antecede algo melhor, como o crescimento, o conhecimento e a superação.
Se vamos passar mais um período juntos, então que seja inesquecível!
 
Bem vindo, Vento da Mudança!
 
Autor: Ana Paula Teixer



A vida é feita de momentos, não é? E um blog pessoal nada mais é do que a expressão de sentimentos e momentos vividos.

Por aqui nao e diferente, cada post, cada frase escrita, é sempre um pedacinho do meu "Eu".
Então hoje, nada define melhor essa que vos fala do que o poema de Cecilia Meireles "Ou isto ou aquilo".

Beijo carinhoso,

Paula Teixer


Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles


Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Ou isto ou aquilo, Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil